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PROJETO CONTINUADO
As Mulheres Operárias em Guimarães
A Casa da Memória de Guimarães associa-se ao novo projeto documental de Raquel Azevedo, que dá continuidade ao trabalho desenvolvido em As Vozes por Entre os Fios. Desta vez, o foco recai sobre as histórias de vida de mulheres operárias da freguesia de São Jorge de Selho (Pevidém), em Guimarães.
O projeto pretende registar e divulgar as memórias de mulheres que, ao longo de décadas, sustentaram a indústria têxtil da região e, simultaneamente, asseguraram o trabalho invisível do cuidado das suas famílias.
No mês de maio, este grupo de mulheres deslocou-se à Casa da Memória de Guimarães para se conhecer entre si, conhecer a realizadora e a equipa afeta ao projeto. Este momento incluiu a projeção do documentário As Vozes por Entre os Fios, permitindo às participantes conhecer o trabalho que será desenvolvido com elas. Durante os meses de outono e inverno serão realizadas entrevistas a sete mulheres, cinco já reformadas e duas ainda no ativo: Maria Rosa Fontão, que começou a tecer em casa aos 10 anos e, mais tarde, trabalhou na Josim Cobertores; Esmeralda Fontão, antiga operária da fiação da Coelima; Eduarda Fontão, que iniciou o seu percurso profissional na Coelima aos 14 anos, desempenhando funções no armazém e na expedição de fio; Maria Emília Machado, que começou a trabalhar na confeção da Coelima aos 13 anos, especializada na execução do ponto corrido; Ana Lemos, que trabalhou numa fábrica de Guimarães onde, após o 25 de Abril, os proprietários abandonaram a empresa e os trabalhadores asseguraram a sua continuidade em regime de autogestão. Após o encerramento da fábrica, integrou os turnos especiais da tecelagem da Coelima; Sandra Palavras e Helena Pomba, que continuam atualmente a exercer funções na confeção da Coelima.
Raquel Azevedo é autora, documentarista e criadora cultural, desenvolvendo uma prática artística que cruza cinema documental, investigação, mediação cultural e intervenção comunitária. O seu trabalho centra-se na preservação da memória coletiva, na justiça social e na valorização das histórias de mulheres e comunidades frequentemente invisibilizadas, com especial destaque para a investigação sobre as operárias da indústria têxtil do Vale do Ave e as mulheres ligadas à seca da pesca. É criadora de projetos de cinema comunitário, como o Cinema Insuflável e o Cinema em Casa, que promovem o acesso democrático à cultura e a formação de públicos em bairros, escolas e territórios periféricos, utilizando o cinema como ferramenta de inclusão, participação e pensamento crítico. Desenvolveu também projetos educativos no âmbito do Projeto Escolhas, recorrendo ao audiovisual como instrumento de capacitação juvenil. A sua obra articula investigação documental, recolha de memória oral, criação audiovisual e participação comunitária, afirmando o cinema como um espaço de preservação do património imaterial, construção de novas narrativas e transformação social.
